Dra. Suelen Rodrigues Stallbaum – Hematologista Londrina, Apucarana, Maringá e região

O que é mieloma múltiplo: entenda mais sobre a doença.

Mieloma múltiplo: você já ouviu falar? Hoje eu vou te explicar mais sobre essa doença que ainda traz confusão para muitos pacientes. Confira!

Vou começar explicando o que é a medula óssea:

A medula é a “fábrica do sangue”, é um tecido esponjoso que fica dentro dos ossos e muitas vezes é popularmente chamado de tutano. O papel da medula para nós é fundamental, pois é lá que são produzidos os leucócitos (glóbulos brancos), as hemácias (glóbulos vermelhos), e as plaquetas.

Pois é. O mieloma é o câncer que atinge justamente a medula, mas que é chamado de “múltiplo”  porque pode afetar outras áreas do corpo (coluna vertebral, pélvis, braços e/ou pernas).

Mais comum em homens acima de 60 anos, podemos afirmar que é uma doença extremamente rara em crianças, embora possa ocorrer em pacientes mais jovens. Abaixo dos 20 anos a doença é extremamente rara, com poucos casos descritos em todo o mundo.

Como a doença se inicia?

Para entender melhor o mieloma múltiplo, vamos entender que a doença começa quando as células (plasmócitos) nascem doentes e se reproduzem rapidamente, acumulam-se na medula óssea e impedem que células saudáveis se desenvolvam. Esses plasmócitos produzem um anticorpo anormal, que é chamado de proteína M. Porém, também existe o chamado mieloma múltiplo não-secretor, que é aquele onde não há a secreção da proteína M.  

Por estar localizada nos ossos, a doença também  pode ser conhecida como uma doença óssea.

Você deve estar se perguntando quais os sintomas do mieloma múltiplo, certo? Existe o tipo da doença que apresenta sintomas e o tipo sem sintomas (ou seja, assintomático).

Os sintomas mais comuns quando a doença já está um pouco avançada são:

  • fortes dores ósseas
  • fraqueza
  • fraturas
  • fadiga (devido a uma possível anemia)
  • infecções recorrentes
  • demora na recuperação de infecções
  • Alterações na urina

Como diagnosticar o mieloma?

Infelizmente ainda é difícil determinar um fator que seja a causa do mieloma múltiplo, mas sabemos como diagnosticá-lo para iniciar o melhor tratamento e oferecer chances de cura ao paciente.

Geralmente os exames são solicitados quando o paciente chega ao consultório com um ou mais sintomas que citei um pouco antes no texto.

Os exames são:

  • Biópsia da medula óssea: Importante para conseguir fazer a contagem de células do mieloma na medula óssea;
  • Hemograma completo: avalia anemia, contagem de glóbulos brancos e plaquetas;
  • Eletroforese de proteínas, para avaliar a proteína M;
  • Teste de urina;
  • Outros exames de sangue para avaliar o estágio da doença.

Também existem os exames ósseos:

  • Radiografia
  • Ressonância Magnética
  • Tomografia

A doença possui alguns estágios, que são determinados de acordo com o valor de hemoglobina, albumina, beta-2-microglobulina, valor de cálcio sérico, taxa de proteína M e estrutura óssea.

Tratando o mieloma múltiplo:

Quando iniciamos o tratamento do mieloma múltiplo, o principal objetivo é o controle da doença, já que não existe cura. Mas devemos pensar também na qualidade de vida do paciente e em não comprometer outras áreas como coração e rins.

O tratamento pode incluir:

  • Quimioterapia
  • Hemodiálise (quando os rins já estão comprometidos)
  • Cirurgias para correções ósseas que possam estar comprometendo a qualidade de vida do paciente
  • Radioterapia para controle de dor e diminuir o risco de fratura
  • Transplante de medula óssea

Posteriormente, fazemos o tratamento de manutenção com a administração de alguns medicamentos que serão definidos pelo hematologista.

O mais importante é descobrir a doença em seu estágio inicial. É por isso que ao surgirem sintomas, um médico de confiança deve ser consultado.

Se você sentir que precisa se consultar com um hematologista para garantir que está tudo bem com sua saúde, agende uma consulta!

Em Londrina ligue para (43) 3372-2502. Em Apucarana (43) 3422-0836. WhatsApp apenas para agendamento: (43) 99187-9191

O que é anemia carencial mista?

Estima-se hoje, que cerca de meio bilhão de pessoas no mundo são acometidas por algum tipo de anemia. De uma forma geral, essa condição é decorrente de alterações na produção de hemácias (glóbulos vermelhos) em nosso organismo, causando redução no número de glóbulos vermelhos no sangue ou alterações morfológicas nessas células.

Entretanto, as causas para a doença são inúmeras e provenientes da carência de diferentes nutrientes e defeitos até mesmo na própria medula óssea. Quando falamos de anemia carencial mista, nos referimos a associação de mais de um tipo de anemia: deficiência de ferro e vitamina B12 associadas. Vamos entender melhor adiante!

O que é anemia?

Nosso sangue é composto basicamente por três tipos de células:

  • Glóbulos brancos ou linfócitos: responsáveis pela defesa do nosso organismo;
  • Glóbulos vermelhos ou hemácias: compostas pela proteína hemoglobina e têm função de transportar oxigênio no organismo;
  • Plaquetas: coagulante do sangue.

Há uma estimativa de que as hemácias duram cerca de três meses e, assim, a medula óssea trabalha continuamente para a produção e reposição dessas células.

A anemia acontece quando há algum tipo de deficiência ou alteração na reprodução dessas células que são causadas pela falta de algum elemento essencial; ou são decorrentes de outras complicações mais

graves. Para a síntese da hemoglobina, proteína constituinte da hemácia, é necessário ferro, ácido fólico e vitamina B12. Em sua ausência, as hemácias passam a se tornar defeituosas e ter sua função comprometida.

Quais os sintomas?

Como o transporte de oxigênio fica comprometido com a anemia, os principais sintomas são:

  • Fraqueza ou cansaço
  • Fadiga
  • Desmaios
  • Apatia
  • Falta de ar
  • Falta de apetite

Mas as causas da doença são diversas e o resultado são diferentes tipos de anemia.

Quais os tipos de anemia?

A maior parte das anemias geralmente são desencadeadas pela carência de nutrientes, como é o caso da anemia ferropriva e da anemia megaloblástica. Mas existem outras causas como as anemias hereditárias, anemias secundárias a outras doenças e defeitos primários da medula óssea.

Anemia ferropriva

A anemia ferropriva é o tipo mais comum de anemia, responsável por quase 90% de todos os casos de anemia, sendo considera uma questão de saúde pública.

Essa tipologia acontece pela carência do ferro no organismo. A principal causa é sangramento crônico, como em pessoas com hemorragias intestinais, infestação por parasitas ou até mesmo menstruação aumentada. Mas também pode ocorrer pela alimentação desequilibrada e escassa de ferro ou pessoas com dificuldade de absorção de ferro, como pessoas com doença celíaca.

Anemia Megaloblástica

A anemia megaloblástica é o defeito na síntese de DNA durante a produção das hemácias, ocorrendo um desequilíbrio entre o crescimento e sua divisão celular. O resultado disso são células desproporcionais e não funcionais no sangue. Esse tipo de anemia acontece quando há carência de ingestão ou absorção de ácido fólico e vitamina B12, acontecendo de maneira lenta e progressiva. Gastrites, por exemplo, são causas relativamente comuns que atrapalham a absorção desse nutriente essencial para a formação das hemácias.

Gestantes também devem ficar atentas ao nível de ácido fólico, pois durante a gestação as necessidade desse nutriente é maior.

Anemia Carencial Mista

A anemia carencial mista é quando há a carência de ferro, de ácido fólico ou também da vitamina B12 associados. Nesse cenários, é diagnosticado mais de uma causa e pelo menos dois tipos de nutrientes em falta, exigindo um tratamento específico para suprir a carência de cada um dos nutrientes e tratar as doenças. Então vamos entender como é feito o diagnóstico para identificar a anemia carencial mista.

Como é feito o diagnóstico?

Para identificar a anemia e suas causas, é necessário fazer uma anamnese completa do paciente com o acompanhamento médico. O hemograma é o exame mais básico para identificação do número e condições das hemácias no sangue.

Confirmada a anemia, o médico irá solicitar a dosagem das vitaminas (Ferro, Vitamina B12 e Ácido fólico) para verificar se estão faltando. Se confirmada a falta desses nutrientes deve-se prosseguir a investigação com exames de imagem para identificar o motivo da falta das vitaminas.

Não há necessidade de investigação de medula óssea no processo de investigação de anemias carenciais mistas.

Qual o tratamento para a anemia carencial mista?

O tratamento se baseia na suplementação mista desses nutrientes em carência. Entretanto, é necessário ressaltar que se a carência for decorrente da má absorção pelo organismo ou de outras doenças, é essencial que haja tratamento diferenciado para a causa do problema.

Por isso a importância em se consultar um médico especialista e fazer uma investigação profunda das causas da anemia. Os suplementos podem ser via oral ou injetável, dependendo o grau da anemia e do paciente.

Apesar da anemia ser uma doença recorrente, muitas vezes ela vem vinculada a outros problemas e pode levar a complicações mais graves a longo prazo. Em casos mais leves, uma reeducação alimentar pode elevar os níveis de ferro, ácido fólico e vitamina B12 para amenizar a anemia carencial mista. Se possuir alguma dúvida ou suspeita a respeito da anemia, procure orientação de um médico hematologista.

 

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Mitos e verdades sobre a talassemia – Entenda sobre o assunto!

No último dia 08 de maio lembramos  o dia Internacional da Talassemia, também conhecida como Anemia do Mediterrâneo. A doença recebe esse nome, porque é causada por uma mutação comum nos povos dessa região, tais como portugueses, espanhóis, italianos, gregos e libaneses.

Estima-se que a talassemia atinge de 1,5 a 3% da população mundial e, apesar de sua grande prevalência, poucas pessoas sabem o que é a doença, suas causas, sintomas ou formas de tratamento.

Mas hoje vamos mudar isso, certo? Vamos falar sobre o que é a doença e alguns mitos e verdades sobre a talassemia. Confira!

O que é talassemia? 

A talassemia é uma doença hereditária que causa falha ou deformação na produção de hemoglobinas, a proteína componente das hemácias (também conhecidas como glóbulos vermelhos ou eritrócitos). Elas são responsáveis pela pigmentação vermelha do nosso sangue e contêm ferro em sua composição. Sua principal função no organismo é a distribuição do oxigênio para as demais células do corpo.

A redução ou deformação de hemoglobinas em nosso organismo é o principal fator dessa doença, e dependendo da quantidade de hemoglobina alterada ou da taxa de destruição teremos diferentes graus de anemia e consequentemente diferentes sintomas e apresentações clínicas.

As variações de talassemia

Existem 4 tipos de variações de hemoglobinas: alfa, beta, gama e delta. As deficiências combinadas dos diferentes tipos de hemoglobina, vai dar origem a tipos e apresentações diferentes de talassemias. As talassemias mais comuns são a alfa e a beta-talassemia.

Já as de maior grau, decorrentes de mutação em 2 genes no caso das beta-talassemias (mais comuns) ou 3 genes no caso das alfa-talassemias, levam a graus maiores de anemia e se não tratadas podem até levar a alterações física como deformidades faciais pela falta de oxigênio. O tratamento nessa situação muitas vezes é realizado com transfusões de sangue periódicas para reparar anemias graves e quelação de ferro para evitar o acúmulo do ferro causado pelas múltiplas transfusões ao longo da vida.

Para entender melhor alguns mitos e dúvidas acerca da talassemia, confira conosco a listagem abaixo.

Mitos e verdades sobre a talassemia

Talassemia é contagiosa

MITO! A doença é hereditária e genética, passada apenas de pais para filhos. Portanto, não há nenhuma chance de ser contaminado ou transmitir talassemia, independente do seu grau.

Sua classificação também é autossômica recessiva, ou seja, atinge homens e mulheres na mesma proporção pela indução do gene recessivo.

Talassemia pode virar leucemia

MITO! A leucemia é um problema que atinge a produção dos glóbulos brancos na medula óssea, ou seja, as células de defesa do nosso organismo. Já a talassemia é o problema na produção das hemoglobinas, componente essencial dos glóbulos vermelhos. O único sintoma comum é a anemia, entretanto, que pode não estar relacionada.

A talassemia não tem cura

VERDADE! A doença é causada pela mutação de um gene e ainda não há correção dessa deficiência. Estuda-se a cura da doença a partir da transfusão de medula óssea, porém, que exige doador compatível e melhor necessidade de estudo a respeito.

Hoje também existem tratamentos eficazes que auxiliam os pacientes a levarem uma vida comum com menores impactos e sintomas possíveis, desde que haja um diagnóstico precoce.

A pele amarelada pode ser sintoma da talassemia ou decorrente de transfusão de sangue incompatível

VERDADE! Um sintoma forte da talassemia é a anemia, consequentemente, a pele amarelada se torna um sintoma dessa doença pela menor quantidade de sangue presente no corpo.

Entretanto, graus mais fortes de talassemia exigem transfusões de sangue para tratamento da anemia, e a pele amarelada mais uma vez pode ser um sinal de efeito colateral ao receber sangue incompatível com o organismo do paciente. Portanto, a icterícia nesses casos é um sinal para ambos os problemas.

É possível fazer diagnóstico da talassemia em bebês antes do seu nascimento

VERDADE! Alguns exames pré-natal, tais como Amostragem de Vilosidade Coriônica e Amniocentese, conseguem indicar a partir de algumas semanas de vida (cerca de 11 a 16 semanas de vida) se há a deficiência nos genes que causam a talassemia.

Além disso, a grande maioria das crianças com até dois anos de idade já apresentam sintomas quando a doença é em grau intermediário ou maior. Os mais comuns são: icterícia, níveis baixos de hemoglobina, fraqueza, micróticos (hemácias com tamanhos reduzidos), fraqueza e crescimento anormal do baço.

E, apesar de tudo isso, ainda existem indivíduos que possuem um gene com a deficiência (grau menor) e nunca apresentam o sintoma durante a vida.

A talassemia, portanto, é uma doença ampla e que merece uma investigação profunda e um bom acompanhamento médico. Seus sintomas variam de paciente para paciente, podendo ser ocultos ou tendo altos níveis de anemia.

A melhor forma de tratamento será recomendado por um médico especialista, como o hematologista. O diagnóstico é realizado por meio de exame de sangue chamado Eletroforese de Hemoglobinas e investigação da composição das hemoglobinas, seu volume no sangue, entre outros.

É recomendado sempre procurar orientação médica no caso de palidez, anemia,  dores nos ossos e sintomas para um diagnóstico precoce.

Se você já tem o diagnóstico da talassemia ou quer investigar a anemia, agende uma consulta comigo! Sou hematologista e atendo em Londrina e Apucarana.

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