Dra. Suelen Rodrigues Stallbaum – Hematologista Londrina, Apucarana, Maringá e região

Febre pode matar? Entenda a neutropenia febril

Febre pode matar? Esse é o tema dessa semana. Vamos aprender?

Durante o mês de junho estamos falando sobre essas emergências oncológicas. Já falamos sobre Hipercalcemia maligna e Síndrome de Lise Tumoral. Hoje, para dar sequência, quero te explicar sobre outra emergência onco-hematológica,  a Neutropenia Febril. Só pelo nome provavelmente você não tenha ideia do que eu estou falando, né?

Ué, não era febre que mata? Calma, vamos chegar lá! Mas antes, vamos entender mais sobre o assunto?

Os neutrófilos são um tipo de leucócitos – as células do sistema imunológico. São eles os principais responsáveis por proteger, detectar e combater invasores em nosso organismo, como vírus e bactérias. 

Neutropenia é o nome que damos ao quadro em que há diminuição de neutrófilos. Consideremos neutropenia níveis abaixo de 1500/µL, sendo casos muito graves abaixo de 500/µL.  E para entender, precisamos lembrar o que são neutrófilos.

Quando essas células estão em uma contagem muito baixa, quer dizer que estamos com pouca – ou nenhuma – proteção contra infecções. 

Agora que já entendemos o que é um quadro de neutropenia, vamos falar mais sobre a neutropenia febril? 

Pacientes oncológicos são pacientes que apresentam a imunidade comprometida por uma série de fatores, seja pela própria doença que baixa a imunidade como as que afetam a medula e células de defesa, pelo tratamento quimioterápico ou até mesmo em alguns casos por um transplante de medula óssea.

Por isso, estamos sempre cuidando para evitar o surgimento de infecções e tentar ao máximo proteger o sistema imunológico. 

Quando o paciente em tratamento quimioterápico faz febre, é sempre um sinal de alerta! Se a febre é igual ou maior que 38ºC é preciso fazer um exame de sangue para investigar o número de neutrófilos e investigar uma possível infecção. 

A neutropenia febril é um quadro comum que surge por consequência da quimioterapia, atingindo a maioria dos pacientes em algum momento do tratamento. E dizemos que é a “febre que mata” pois os pacientes com neutropenia febril se não tratados com urgência e não começarem o antibiótico o quanto antes correm risco de vida e infelizmente muitas vezes podem morrer.

Além disso, pacientes com leucemia, mieloma múltiplo e linfomas já são grupo de risco para surgimento de um quadro de neutropenia febril. 

Diagnóstico

Para investigar e realizar o diagnóstico, é preciso um exame de sangue para contagem de neutrófilos, mas também um exame físico bastante minucioso para encontrar o foco da infecção: garganta, local de inserção de cateter, corte, fundo de olho, pulmão, períneo. 

Tratamento

O tratamento será feito de acordo com a gravidade do paciente. Se houver, junto com a neutropenia, presença de hipotensão (pressão arterial baixa), desidratação, pneumonia ou outro sinal de gravidade, é recomendado a internação. 

Em todos os casos serão realizados hemogramas para acompanhar o número de neutrófilos e o paciente deverá ser acompanhado de perto e usar antibióticos potentes.

A neutropenia febril é uma das emergências oncológicas pois se não tratada rapidamente, pode comprometer todo organismo com a infecção e lavar o paciente a óbito, sendo, inclusive, uma das principais causas de morte durante o tratamento oncológico. 

Por isso é preciso estar atento aos exames laboratoriais e a sinais que muitas vezes são ignorados pelo próprio paciente. 

Você já tinha ouvido falar sobre essa emergência oncológica? Ficou com alguma dúvida sobre o assunto? Me conte nos comentários!

E você, colega médico, já investigou ou tratou quadros de neutropenia febril? Quais foram os maiores desafios? 

Dra. Suelen Stallbaum⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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Quando o tumor se rompe – Síndrome de Lise Tumoral

Agora em junho estamos conversando sobre as emergências onco-hematológicas, você tem acompanhado? 

O tema de hoje é a Síndrome de Lise Tumoral. Você já ouviu falar sobre ela? Então vamos entender juntos o que é essa emergência, como surge e os riscos que apresenta? 

Um tumor maligno é uma massa formada por células não saudáveis que se reproduzem de forma desordenada. Para matarmos o tumor precisamos destruir ele, certo? Mas se fizermos isso de forma muito rápida, liberamos muitas substâncias de uma vez na corrente sanguínea a sobrecarregamos nosso corpo com isso. O termo lise significa quebra, ruptura. A Síndrome de lise tumoral (SLT) acontece justamente quando há um rompimento de um número de células muito grande e ao mesmo tempo liberando diversas substâncias como grandes quantidades de ácido úrico na corrente sanguínea, algo grave e que pode até levar à morte se não tratado com urgência.

Na SLT, além do aumento do ácido úrico, nosso corpo também é sobrecarregado com:

  • Hipocalcemia (falta de cálcio no sangue) e hipercalciúria (eliminação de muito cálcio pelos rins) – falamos recentemente sobre o oposto: excesso de cálcio no sangue
  • Hiperfosfatemia (excesso de fosfato no sangue)
  • Hiperuricemia (concentração de ácido úrico no sangue)

Os riscos da SLT são muitos e incluem insuficiência cardíaca, lesões nos rins, alterações neurológicas (espasmos musculares e convulsões, alterações gastrointestinais e, se não diagnosticada e tratada, pode levar à falência múltipla de órgãos e óbito.

Os sinais e sintomas da lise tumoral são:

  • Náuseas, vômitos e diarreias
  • Hematúria (presença de sangue na urina)
  • Perda do apetite
  • Arritmias cardíacas
  • Espasmos musculares/tetania 
  • Arritmias e insuficiência cardíaca 

A Síndrome de Lise Tumoral é mais comum em tumores onco-hematológicos, como:

Leucemias Agudas como LLA e LMA e linfomas agressivos, principalmente Linfoma de Burkitt, Linfoma Difuso de Grandes Células B, Linfoma Linfoblástico e Linfoma do Manto com grandes massas.

Além disso, tumores maiores e de crescimento rápido também apresentam maior risco de se romperem. 

Como muitos dos sintomas podem ser confundidos com os da quimioterapia, é importante que o oncologista e o hematologista acompanhem de perto o paciente e realizem exames para medir níveis de potássio, cálcio, fosfato e ácido úrico, por exemplo. 

Como é uma emergência grave, o paciente deverá ser internado para acompanhamento caso seja diagnosticada a lise tumoral. O tratamento ideal seria perceber as situações de risco e instituir medidas precoces para evitar que a Síndrome de Lise Tumoral ocorra. Mas quando isso não for possível controlar as alterações dos eletrólitos no sangue e prevenindo, prevenindo ou já tratando lesões renais, cardíacas e neurológicas.  

O assunto é um pouco complicado e por isso, se você tiver alguma dúvida, me conte nos comentários! Paciente bem informado é fundamental para o sucesso do tratamento 😉 

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3 informações para aprender sobre a Leucemia Linfocítica Crônica

Quando falamos em leucemia, a primeira coisa que precisamos esclarecer é que não existe apenas um tipo da doença. Na verdade, são mais de 12 tipos diferentes, mas os quatro principais, são:

  • Leucemia Mieloide Aguda (LMA)
  • Leucemia Mieloide Crônica (LMC)
  • Leucemia Linfocítica Aguda (LLA)
  • Leucemia Linfocítica Crônica (LLC)

E hoje quero trazer 3 informações importantes sobre a Leucemia Linfocítica Crônica, também chamada de LLC, mais comum em adultos acima dos 50 anos.

1. Atinge os linfócitos-B


As leucemias crônicas são aquelas em que as células do sangue ficam maduras, mas de forma descontrolada e com células doentes. Cada tipo de leucemia pode se caracterizar por atingir um tipo de célula sanguínea específica. 

No caso da LLC, o erro genético está nos linfócitos-B, responsáveis por combater possíveis invasores no organismo, por meio da produção de anticorpos. Com a alteração genética que resulta na reprodução desordenada das células, há acúmulo desses linfócitos-B na medula óssea. 

2. Nem sempre é necessário tratamento

A doença é uma das poucas dentro da hematologia que muitas vezes não é necessário tratamento. 

Porém, cada caso é individual e somente com exames e avaliação do hematologista será possível determinar qual linha será seguida. Além disso, com o passar do tempo pode ser preciso mudar a conduta. 

Quando a doença é sintomática, os pacientes da LLC podem apresentam:

  • Fadiga
  • Sudorese noturna
  • Anemia
  • Aumento rápido do número de leucócitos
  • Alterações no hemograma como anemia e plaquetas baixas

O diagnóstico é feito primeiramente solicitando um hemograma. Quando há linfocitose absoluta e persistente (número de linfócitos no sangue superior a  5000/mc), já temos um motivo para suspeitar da LLC. Nesses casos devemos solicitar o exame confirmatório da doença chamado Imunofenotipagem de sangue periférico.

Hoje em dia não é mais necessária biópsia de medula para fazer o diagnóstico da doença, ok?

3. A doença não tem cura

A Leucemia Linfocítica Crônica não tem cura. Uma informação bastante importante é que nós médicos precisamos avaliar todo quadro do paciente antes de iniciar um tratamento. Como a LLC é mais comum em idosos, sendo 70 anos a idade média dos diagnósticos, precisamos colocar na balança os benefícios e efeitos colaterais de cada intervenção. 

O tratamento, quando necessário, pode ser feito por medicações imunoterápicas na maioria das vezes e associação com quimioterapia convencional em alguns casos. E hoje em dia já temos várias opções de tratamento oral para LLC como Ibrutinib e Venetoclax. Além do tratamento específico, transfusões de sangue para pacientes com anemia grave e principalmente cuidado e tratamento com infecções de repetição também são recomendados.

O prognóstico da doença costuma ser bom e podemos encontrar pacientes que há muitos anos convivem com a doença. No entanto também temos os casos em que a leucemia se transforma em um linfoma de alto grau, mas isso é conversa para outro dia…

Você já sabia sobre essas informações? Me conte nos comentários qual outra doença dentro da hematologia você gostaria de entender.

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