Dra. Suelen Rodrigues Stallbaum – Hematologista Londrina, Apucarana, Maringá e região

Relação entre alimentos e anticoagulantes

alimentos e anticoagulantes

Se você faz uso de anticoagulantes, já sabe o que eles são e para o que servem. Mas, para quem ainda não conhece esses medicamentos, hoje vou falar sobre a relação entre alimentos e anticoagulantes.

Em nosso sangue, temos substâncias que são responsáveis pelo processo de coagulação, ou seja, de não permitir que a gente sangre quantidades além do normal. Mas, tem algumas situações pode acontecer um erro que leva a uma coagulação rápida e exagerada, que forma os famosos coágulos (trombos) e pode levar à trombose. 

Existem situações em que precisamos usar remédios anticoagulantes com a intenção de parar ou prevenir uma trombose. Exemplos:

-> Após cirurgias no joelho ou situações em que o paciente fique muito tempo deitado.

-> Pacientes com quadros de trombose

-> Uso de próteses em válvulas cardíacas 

-> Pacientes com algumas cardiopatias

Nesses casos o anticoagulante é prescrito e  o acompanhamento feito por um hematologista.

O que são anticoagulantes?

Os anticoagulantes são uma classe de fármacos (medicamentos) usados no tratamento de alterações relacionadas ao processo de coagulação sanguínea podem ser usados por via oral (comprimidos), ou como injeções na veia ou subcutâneo (barriga, braço, etc.)

Existem dois tipos muito famosos quando falamos em via oral e com mecanismo de ações bem diferentes: antagonista da vitamina K (Varfarina) ou Anticoagulantes orais diretos (ex: Xarelto)

Alimentos e anticoagulantes

Se você faz uso de anticoagulante antagonista da vitamina K já deve saber que alguns alimentos devem ser evitados: justamente os ricos em vitamina K.  Isso acontece porque é essa vitamina que lá no fígado participa da formação dos fatores de coagulação sanguínea e tem portanto, papel pró coagulante.

Alguns alimentos ricos em vitamina K são: folhas verdes escuras, principalmente alface e brócolis. Embora vários tipos de chás e remédios (ex: anti-inflamatórios) também possam interferir na dosagem do remédio.

Para que não haja interferência na ação dos medicamentos, a alimentação deve ser pobre nesses alimentos e em todos ricos em vitamina K.

Já os anticoagulantes orais diretos não têm essa interferência, porém têm como negativo o custo elevado e contraindicação em algumas situações específicas como trombofilias de alto risco como SAF.

E aí, você já sabia disso? Me conte nos comentários!  📲Para agendamento de consulta ligue em Londrina para (43) 3372-2500. Em Apucarana (43) 3034-0789 ou envie um WhatsApp para 43 99187-9191. O número de WhatsApp é válido tanto para Londrina, quanto para Apucarana.

 

Mutação MTHFR e a ginecologia

Hey people, como vão? Tranquilos nessa quarentena? Pois hoje estou em clima de polêmica. E como não aguentamos mais a já batida pandemia, bora polemizar outras áreas? 😉

Brincadeiras à parte, a polêmica que vamos discutir hoje nem deveria ser polêmica, já que está mais do que provado e comprovado que NÃO EXISTE NENHUMA ASSOCIAÇÃO ENTRE MUTAÇÃO DO GENE MTHFR E TROMBOFILIA! Mas nem escrevendo em letras garrafais alguns colegas parecem entender.

Então lá vamos nós tentar pela milésima vez convencer alguém com argumentos científicos.

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Guidelines ASH e ABHH para COVID-19

Guidelines ASH e ABHH para COVID-19: Oi gente. Demorei, mas voltei. 

E retomando com um certo “delay” a nossa iniciativa para profissionais da saúde, confesso que tentei fugir do coronavírus, mas está difícil. Então lá vamos nós de novo falar sobre a COVID-19 e a hematologia. 

Hoje vou falar sobre uma iniciativa muito bacana da sociedade americana de hematologia (ASH) e da associação brasileira de hematologia e hemoterapia (ABHH). A ASH e a ABHH criaram páginas específicas para informações e recomendações atualizadas sobre a influência da pandemia no tratamento das doenças hematológicas. Deixo os links no fim do texto.

Como sabemos, as doenças hematológicas têm muitas particularidades, principalmente as neoplasias hematológicas. Tenho visto muitas informações generalizadas na internet e até de médicos sobre o tratamento do câncer durante a pandemia dizendo coisas do tipo: “a quimioterapia não pode parar” ou  “não devemos mudar o tratamento do câncer pela pandemia”. Infelizmente na área de hematologia não é bem assim.

Pensando nisso a ASH e ABHH criaram diversos guidelines baseados em alguns pequenos estudos e consensos de especialistas, que são a melhor evidência científica que temos até o momento, para guiar o tratamento das diferentes doenças hematológicas neste momento. Sabemos por exemplo que o tratamento de indução das leucemias agudas não deve ser mudado ou adiado, em compensação no tratamento da Policitemia Vera recomenda-se trocar as sangrias por Hidroxiureia para reduzir as visitas ao banco de sangue, quando possível. 

Bacana, né? Estamos todos aprendendo juntos, portanto compartilhar dados e avaliar a experiência alheia é fundamental. 

E usando essas informações a nosso proveito, hoje iremos de resumo das recomendações de Maio de 2020 do tratamento de Mieloma Múltiplo, ambulatório pela qual sou responsável no Hospital do Câncer de Londrina.

1- Preferência para regimes de quimioterapia com drogas orais

2- Reduzir dose de corticoide para 50% da dose usual, quando possível

3- Espaçar consultas de pacientes em manutenção, 

4- Adotar teleconsulta, se possível e disponível

5- Adiar transplante autólogo de medula óssea, porém coletar células após 4 ciclos de indução se resposta adequada

6- Manter profilaxias antimicrobianas

7- Espaçar intervalo de aplicações de ácido zoledrônico para 3 meses

Por hoje é só pessoal, e vale lembrar que a ciência está em constante evolução, bem como esses guidelines que são frequentemente atualizados, ok?

Abraços

 

https://abhh.org.br/institucional/coletanea-covid19/

https://hematology.org/covid-19