Dra. Suelen Rodrigues Stallbaum – Hematologista Londrina, Apucarana, Maringá e região

Plaquetopenia no pós-operatório: entenda mais sobre o assunto!

Plaquetopenia no pós-operatório: você já ouviu falar disso? É sobre esse tema que vou falar hoje! Primeiro, vou começar adiantando que plaquetopenia e trombocitopenia são a mesma coisa, ok? Então vamos lá!

As plaquetas fazem parte dos componentes do nosso sangue e são produzidas na medula óssea. Elas são responsáveis por auxiliar na coagulação sanguínea e consequentemente também ajudam na cicatrização de ferimentos ou cortes. O valor normal das plaquetas no sangue varia entre 150.000 mm³ e 450.000mm³.  Quando essa contagem está abaixo de 150.000 ocorre a chamada plaquetopenia, que é a baixa quantidade de plaquetas no sangue.

Entendendo a plaquetopenia no pós-operatório

A plaquetopenia (trombocitopenia) pode ocorrer por uma diminuição da produção das plaquetas lá na medula óssea ou ainda quando há uma grande destruição no sangue. Para descobrir qual dos dois está acontecendo é preciso pensar na situação clínica atual do paciente e pedir alguns exames que nos ajudam a pensar se a causa fala a favor de uma redução da produção na medula óssea (cuja única forma de comprovar é realizando o exame da medula óssea) ou por aquilo que chamamos de “causa periférica”, ou seja, destruição no sangue periférico.

Um desses contextos bem específicos é o das plaquetas baixas (plaquetopenia) no pós-operatório, especialmente após cirurgias cardíacas (35 a 65% dos casos ocorrem nesses pacientes). Uma das causas conhecidas para que isso ocorra é a reação ao uso de heparina, medicamento usado para evitar a coagulação no sangue durante ou após uma cirurgia (trombose venosa). Porém existem casos em que a cirurgia é muito extensa e é feito muito soro por exemplo que acaba diluindo as plaquetas, fazendo a plaquetopenia dilucional e diversos outras causas. Diferente, né? Aposto que você não fazia ideia disso. 😉

Os principais sintomas da queda do número de plaquetas são manchas roxas ou avermelhadas na pele e também sangramentos.

A trombocitopenia pode ser grave e atrapalhar a recuperação do paciente. Por isso é preciso fazer hemogramas repetidamente para controle dos índices de plaqueta no sangue, já observando o uso da heparina e suas relações, para suspender quando necessário. Se a condição for pré-existente, poderá ser detectada nos exames que são feitos de preparo para a cirurgia.

Para o tratamento, é preciso identificar primeiro a causa para depois determinar como combater. Pode acontecer o uso de corticóides, uso de imunossupressores ou até transfusões. Também é necessário suspender o uso de heparina quando indicado.

Quando vamos realizar uma cirurgia, sempre são pedidos exames pré-operatórios, certo? Assim também é feito no pós-operatório, em que é preciso um acompanhamento de perto de cada paciente.  Esse é um dos motivos pelos quais o Hematologista (médico que cuida do sangue, que é minha especialidade), também está presente nos hospitais e no corpo clínico que atende pacientes operados.

Conhece alguém que já passou por isso ou vai passar por uma cirurgia e quer saber mais sobre o assunto? Marque ele aqui nos comentários! Agora, se você precisa de uma consulta ligue para (43) 3372-2500 em Londrina ou (43) 3422-0836 em Apucarana.  WhatsApp apenas para agendamento: (43) 99187-9191. Até mais! 🙂

Transplante de medula óssea: saiba tudo sobre o assunto!

Você que acompanha meus conteúdos nas redes sociais provavelmente já me viu falar sobre medula óssea. Ela é um tecido sanguíneo rico em células jovens que fica dentro dos ossos e muitas vezes é chamada de tutano. A medula é essencial para nós, porque é nossa “fábrica de sangue”, onde estão nossas células-tronco hematopoéticas, que são responsáveis pela geração de todo nosso sangue. Ou seja, é ali que os componentes do sangue nascem.

Hoje eu vim falar especificamente sobre algo que quase todo mundo já ouviu falar, mas pouca gente sabe de verdade o que é: o transplante de medula óssea.

O transplante de medula é a retirada dessas células da medula do doador e a transferência dessas células para o paciente. O procedimento é relativamente simples e pode ser feito de 2 formas: através da captação das células tronco do sangue periférico (Como se o doador fosse doar sangue, simples assim) ou através da doação das células tronco captadas direto da medula óssea (Na maior parte das vezes somente feito para doadores dentro da família).

Nos casos de doação por sangue periférico, chamada de aférese, o doador recebe injeções por alguns dias para liberar as células tronco da medula para o sangue e depois faz uma coleta de sangue normal. O procedimento é bastante simples e indolor, muitas vezes sem necessidade de internação.

Já no processo de doação através da coleta de células da medula, o doador é levado para um centro cirúrgico. Recebe então uma anestesia e os médicos realizam a retirada das células da medula direto do osso da bacia. Após o doador recebe uma transfusão de sangue para repor o sangue perdido na doação.

A escolha pelo procedimento aférese (sangue periférico) ou medula óssea, vai depender da doença que o paciente que irá receber a medula apresenta e se o doador é da família.

O tratamento com transplante de medula óssea é feito em pacientes de algumas doenças hematológicas. As principais são: leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, anemias graves, doenças genéticas e Aplasia de medula.

Existem três tipos de transplante:

  • Transplante Alogênico Aparentado: Quando o doador é um parente do paciente compatível
  • Transplante Autólogo: Quando as células da medula óssea são retiradas do próprio paciente
  • Transplante Alogênico Não Aparentado: Quando as células vêm de um doador desconhecimento, cadastrado no banco de doadores de Medula Óssea.

Após o transplante, não é de imediato que os novos componentes de sangue são fabricados. Por isso, a imunidade do paciente tende a ficar extremamente baixa, sendo necessária a internação hospitalar, muitas vezes em isolamento para evitar contato com outras doenças contagiosas.

É importante lembrar que nem todas doenças do sangue requerem o transplante como tratamento. Porém, apenas um hematologista fazendo o acompanhamento do paciente poderá indicar o momento em que o procedimento se faz necessário.

Vale lembrar também que você pode ser um doador de medula óssea e ajudar a salvar vidas! Para ser um doador você precisa ter entre 18 e 55 anos e estar em bom estado de saúde. Basta procurar o hemocentro da sua cidade para fazer o cadastro!

Ficou com alguma dúvida?  Para consultas em Londrina ligue para (43) 3372-2500. Em Apucarana (43) 3422-0836. WhatsApp apenas para agendamento: (43) 99187-9191.

O que é Anemia de Doença Crônica?

Você já ouviu falar em anemia de doença crônica (ADC)? Esse é um tipo de anemia que ainda não trouxe aqui para vocês, mas que é muito importante saber quando pode acontecer. Olha só!

A anemia de doença crônica aparece em alguns pacientes com doenças infecciosas, inflamatórias ou neoplásicas (cânceres). Nestes pacientes o corpo tem um estado de inflamação constante que altera o seu funcionamento, influenciando por exemplo a disponibilidade do ferro. É como se tivesse ferro suficiente no corpo, mas a gente não conseguisse utilizar ele. Outra alteração é na produção e ação dos hormônios que estimulam a produção dos glóbulos vermelhos, fator que também contribui para a anemia. E por último a própria vida útil das células vermelhas que acaba diminuindo por este estado alterado do corpo.

Apesar de poder aparecer em pacientes de qualquer idade, a maior parte dos diagnósticos de ADC são vistos em pacientes com mais de 65 anos. Algumas das principais principais doenças “iniciais” que podem estar relacionadas à ADC são: tuberculose, abcesso pulmonar, pneumonia, endocardite, miocardite, meningite, infecção pelo HIV, artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, Doença de Crohn, Linfoma, Mieloma Múltiplo e Carcinomas.

Como você pode ver, são várias doenças que podem deixar o paciente anêmico. Por isso é tão importante que com o diagnóstico dessas patologias, um hematologista seja consultado para junto ao especialista, fazer o acompanhamento.

Quanto aos sintomas, a ADC é uma anemia silenciosa. O paciente deve estar atento principalmente aos sintomas da sua doença de base. Para o diagnóstico, o principal exame é o hemograma (exame de sangue) que mostrará uma anemia de células de tamanho normal ou diminuído (normocítica/microcítica) e “cor” normal ou “mais clara” (normocrônica/hipocrômica). O médico então irá solicitar exames complementares como o perfil de ferro para investigação, em que as principais alterações serão: ferro sérico reduzido, TIBC reduzido, índice de saturação de transferrina normal ou discretamente reduzido e ferritina elevada (principal diferenciação da anemia ferropriva).

Como este tipo de anemia costuma ser de leve à moderado, o principal tratamento é justamente tratar a doença que levou o paciente ao quadro anêmico. Por exemplo: se a doença de base é a tuberculose, o foco deve ser tratar essa doença para consequentemente tratar a anemia.

O diagnóstico da anemia de doença crônica é difícil pois na maior parte das vezes é de exclusão: afasta-se a falta de ferro, doenças como Sìndrome Mielodisplásica. Anemia Sideroblástica e então fechamos o diagnóstico de anemia de doença crônica. Pela complexidade do diagnóstico correto é muito importante o acompanhamento com hematologista nessas situações.

E aí? Aprendemos algo novo hoje? Espero que sim! Se tiver dúvidas ou sugestões manda pra cá que eu ficarei feliz em responder. 😉

Doutora Suelen Stallbaum é hematologista (CRM-PR 30829) e atende em Londrina e Apucarana. Para consultas em Londrina ligue para (43) 3722-500. Em Apucarana (43) 3422-0836. WhatsApp apenas para agendamento: (43) 99187-9191.