Dra. Suelen Rodrigues Stallbaum – Hematologista Londrina, Apucarana, Maringá e região

Você sabe como o AAS (aspirina) funciona?

A aspirina, nome comercial do AAS, é muito famosa, né? Você provavelmente já usou para aliviar dor de cabeça, dor no corpo ou controlar uma febre. 

O AAS é o ácido acetilsalicílico, um anti-inflamatório e hoje vou te explicar duas coisas: como ele age no organismo e qual a relação com a hematologia. Vamos lá? 

A dor é uma resposta do nosso sistema nervoso. Basicamente, funciona assim: se você levou um beliscão no braço esquerdo, as terminações nervosas (responsáveis pelas sensações) daquele local vão levar um comando até o cérebro dizendo: estamos com dor no braço esquerdo.

E é claro que isso acontece em diferentes níveis e proporções. 

Neste momento de resposta à dor, nosso organismo produz uma substância chamada prostaglandina. É aí que entra o efeito da aspirina: A aspirina funciona contra a dor porque impede que as células produzam prostaglandinas, o que faz com que nosso cérebro entenda que estamos com menos dor do que na verdade estamos. 

Somos uma máquina cheia de estímulos e respostas, já percebeu?

E o que isso tem a ver com a hematologia, Dra Su?

Acontece que a inibição das prostaglandinas não é a única ação do AAS no nosso corpo.A depender da dose, a aspirina pode interferir em outras substâncias em nosso corpo, como as enzimas COX-1, COX-2 e, puxando a sardinha para o lado da hematologia, inativar de de forma irreversível as plaquetas.

Isso acontece porque o AAS mesmo em doses baixas como 1 comprimido ao dia inibe a produção de uma substância chamada Tromboxano A2 responsável pela ativação das plaquetas.

Por isso que se diz popularmente que o AAS “afina o sangue”, porque ele inativa as plaquetas e portanto de fato o sangue de quem usa AAS coagula menos do que o normal.

Mas inativar as plaquetas é ruim?

Depende. Pacientes com histórico de trombose ARTERIAIS podem fazer uso de AAS como parte do tratamento, justamente porque essa substância ajudará a evitar a formação de coágulos e pode impedir quadros como um AVC isquêmico, novos episódios de trombose e até mesmo infarto.

Porém, a aspirina não deve ser usada sem prescrição médica porque existe a dosagem correta, nem sempre o uso é diário e é claro que podemos ter efeitos colaterais atrelados. 

 

Inclusive, pacientes com deficiência na coagulação sanguínea não podem fazer uso de aspirina pelo risco de hemorragia. Então já sabe, né? Nada de se automedicar.

 

Você já sabia disso? Me conte nos comentários e envie para quem você sabe que usa AAS para alívio de dor e febre.

Sangramento na quimioterapia: o que preciso saber?

Durante o mês de junho estamos falando sobre emergências oncológicas. Você está acompanhando os posts?

Para fechar o mês, vamos falar sobre uma das alterações que mais trazem preocupação entre os pacientes: o sangramento durante a quimioterapia. Vou tentar deixar o conteúdo bem fácil de entender, mas se você tiver alguma dúvida, me conte nos comentários, ok?

Para começar, vale lembrar que graças a coagulação sanguínea nós não temos sangramentos frequentes e hemorragias, que é o nome dado ao processo de perda intensa de sangue. 

E a coagulação acontece devido a vários fatores, sendo o primeiro relacionado ao trabalho das plaquetas e as enzimas que elas liberam para iniciar essa coagulação. 

Quando há, por qualquer motivo que seja, queda no número de plaquetas, temos o que chamamos de plaquetopenia ou trombocitopenia. Os principais sintomas dessa diminuição no número normal de plaquetas são manchas roxas pelo corpo e sangramentos pelo nariz e gengivas.

E o que isso tem a ver com o tema de hoje?

Sabemos que a quimioterapia tem como objetivo eliminar as células cancerígenas do organismo, seja de um câncer hematológico ou não. Mas, o que acontece é que nós não conseguimos dar a ordem para a medicação atingir somente as células doentes e por isso, a quimio pode atingir as células sadias, inclusive as da medula óssea.

Como consequência, temos a diminuição ou até interrupção na produção de células do sangue, como as plaquetas. Nos primeiros dias, na maioria das vezes não  há sintomas pois as células que já estão no organismo “dão conta do recado”. Mas, entre o 10º e 14º dia do ciclo de quimioterapia, as células sanguíneas estão em sua menor contagem e muitos pacientes podem apresentar sintomas relacionados à baixa das plaquetas, que não representam riscos, como pontinhos avermelhados pelo corpo, porém, outros pacientes podem manifestar a plaquetopenia por meio de sangramentos, sendo eles:

  • Sangramento no nariz
  • Mucosas, como gengiva
  • Sangramento vaginal fora do período menstrual
  • Presença de sangue nas fezes

Esses casos merecem bastante atenção. Consideramos normal a contagem de plaquetas entre 150.000 e 450.000/µL. Pacientes com sangramento e menos do que 50.000 plaquetas/µL já são considerados graves e, mesmo com ausência de sangramento, contagens abaixo de 20.000/µL também. 

Para esses casos, muitas vezes é indicado a transfusão de plaquetas, que funciona como uma transfusão de sangue e pode ajudar o paciente a ter uma recuperação mais rápida do quadro de plaquetopenia. 

Outros casos que não são considerados graves, mesmo com a queda no número de plaquetas, não há necessidade de intervenção, pois ao fim de um ciclo de quimioterapia a contagem volta a subir.

É por isso que muitos pacientes oncológicos, mesmo que de cânceres não hematológicos, podem precisar de um acompanhamento hematológico. 

E é importantíssimo que todo paciente oncológico avise seu médico se notar qualquer sangramento, pois os quadros podem evoluir rapidamente. Há também os sangramentos causados por alterações no fígado e fatores de coagulação, mas essa conversa deixamos para outro dia, ok?

Finalizamos aqui nossa série especial sobre emergências hematológicas, mas se você tiver alguma dúvida, me conte nos comentários. E não esqueça de compartilhar esse conteúdo com quem pode precisar dele, combinado?

Dra. Suelen Stallbaum⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

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Febre pode matar? Entenda a neutropenia febril

Febre pode matar? Esse é o tema dessa semana. Vamos aprender?

Durante o mês de junho estamos falando sobre essas emergências oncológicas. Já falamos sobre Hipercalcemia maligna e Síndrome de Lise Tumoral. Hoje, para dar sequência, quero te explicar sobre outra emergência onco-hematológica,  a Neutropenia Febril. Só pelo nome provavelmente você não tenha ideia do que eu estou falando, né?

Ué, não era febre que mata? Calma, vamos chegar lá! Mas antes, vamos entender mais sobre o assunto?

Os neutrófilos são um tipo de leucócitos – as células do sistema imunológico. São eles os principais responsáveis por proteger, detectar e combater invasores em nosso organismo, como vírus e bactérias. 

Neutropenia é o nome que damos ao quadro em que há diminuição de neutrófilos. Consideremos neutropenia níveis abaixo de 1500/µL, sendo casos muito graves abaixo de 500/µL.  E para entender, precisamos lembrar o que são neutrófilos.

Quando essas células estão em uma contagem muito baixa, quer dizer que estamos com pouca – ou nenhuma – proteção contra infecções. 

Agora que já entendemos o que é um quadro de neutropenia, vamos falar mais sobre a neutropenia febril? 

Pacientes oncológicos são pacientes que apresentam a imunidade comprometida por uma série de fatores, seja pela própria doença que baixa a imunidade como as que afetam a medula e células de defesa, pelo tratamento quimioterápico ou até mesmo em alguns casos por um transplante de medula óssea.

Por isso, estamos sempre cuidando para evitar o surgimento de infecções e tentar ao máximo proteger o sistema imunológico. 

Quando o paciente em tratamento quimioterápico faz febre, é sempre um sinal de alerta! Se a febre é igual ou maior que 38ºC é preciso fazer um exame de sangue para investigar o número de neutrófilos e investigar uma possível infecção. 

A neutropenia febril é um quadro comum que surge por consequência da quimioterapia, atingindo a maioria dos pacientes em algum momento do tratamento. E dizemos que é a “febre que mata” pois os pacientes com neutropenia febril se não tratados com urgência e não começarem o antibiótico o quanto antes correm risco de vida e infelizmente muitas vezes podem morrer.

Além disso, pacientes com leucemia, mieloma múltiplo e linfomas já são grupo de risco para surgimento de um quadro de neutropenia febril. 

Diagnóstico

Para investigar e realizar o diagnóstico, é preciso um exame de sangue para contagem de neutrófilos, mas também um exame físico bastante minucioso para encontrar o foco da infecção: garganta, local de inserção de cateter, corte, fundo de olho, pulmão, períneo. 

Tratamento

O tratamento será feito de acordo com a gravidade do paciente. Se houver, junto com a neutropenia, presença de hipotensão (pressão arterial baixa), desidratação, pneumonia ou outro sinal de gravidade, é recomendado a internação. 

Em todos os casos serão realizados hemogramas para acompanhar o número de neutrófilos e o paciente deverá ser acompanhado de perto e usar antibióticos potentes.

A neutropenia febril é uma das emergências oncológicas pois se não tratada rapidamente, pode comprometer todo organismo com a infecção e lavar o paciente a óbito, sendo, inclusive, uma das principais causas de morte durante o tratamento oncológico. 

Por isso é preciso estar atento aos exames laboratoriais e a sinais que muitas vezes são ignorados pelo próprio paciente. 

Você já tinha ouvido falar sobre essa emergência oncológica? Ficou com alguma dúvida sobre o assunto? Me conte nos comentários!

E você, colega médico, já investigou ou tratou quadros de neutropenia febril? Quais foram os maiores desafios? 

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