Dra. Suelen Rodrigues Stallbaum – Hematologista Londrina, Apucarana, Maringá e região

O que é Anemia de Doença Crônica?

Você já ouviu falar em anemia de doença crônica (ADC)? Esse é um tipo de anemia que ainda não trouxe aqui para vocês, mas que é muito importante saber quando pode acontecer. Olha só!

A anemia de doença crônica aparece em alguns pacientes com doenças infecciosas, inflamatórias ou neoplásicas (cânceres). Nestes pacientes o corpo tem um estado de inflamação constante que altera o seu funcionamento, influenciando por exemplo a disponibilidade do ferro. É como se tivesse ferro suficiente no corpo, mas a gente não conseguisse utilizar ele. Outra alteração é na produção e ação dos hormônios que estimulam a produção dos glóbulos vermelhos, fator que também contribui para a anemia. E por último a própria vida útil das células vermelhas que acaba diminuindo por este estado alterado do corpo.

Apesar de poder aparecer em pacientes de qualquer idade, a maior parte dos diagnósticos de ADC são vistos em pacientes com mais de 65 anos. Algumas das principais principais doenças “iniciais” que podem estar relacionadas à ADC são: tuberculose, abcesso pulmonar, pneumonia, endocardite, miocardite, meningite, infecção pelo HIV, artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, Doença de Crohn, Linfoma, Mieloma Múltiplo e Carcinomas.

Como você pode ver, são várias doenças que podem deixar o paciente anêmico. Por isso é tão importante que com o diagnóstico dessas patologias, um hematologista seja consultado para junto ao especialista, fazer o acompanhamento.

Quanto aos sintomas, a ADC é uma anemia silenciosa. O paciente deve estar atento principalmente aos sintomas da sua doença de base. Para o diagnóstico, o principal exame é o hemograma (exame de sangue) que mostrará uma anemia de células de tamanho normal ou diminuído (normocítica/microcítica) e “cor” normal ou “mais clara” (normocrônica/hipocrômica). O médico então irá solicitar exames complementares como o perfil de ferro para investigação, em que as principais alterações serão: ferro sérico reduzido, TIBC reduzido, índice de saturação de transferrina normal ou discretamente reduzido e ferritina elevada (principal diferenciação da anemia ferropriva).

Como este tipo de anemia costuma ser de leve à moderado, o principal tratamento é justamente tratar a doença que levou o paciente ao quadro anêmico. Por exemplo: se a doença de base é a tuberculose, o foco deve ser tratar essa doença para consequentemente tratar a anemia.

O diagnóstico da anemia de doença crônica é difícil pois na maior parte das vezes é de exclusão: afasta-se a falta de ferro, doenças como Sìndrome Mielodisplásica. Anemia Sideroblástica e então fechamos o diagnóstico de anemia de doença crônica. Pela complexidade do diagnóstico correto é muito importante o acompanhamento com hematologista nessas situações.

E aí? Aprendemos algo novo hoje? Espero que sim! Se tiver dúvidas ou sugestões manda pra cá que eu ficarei feliz em responder. 😉

Doutora Suelen Stallbaum é hematologista (CRM-PR 30829) e atende em Londrina e Apucarana. Para consultas em Londrina ligue para (43) 3722-500. Em Apucarana (43) 3422-0836. WhatsApp apenas para agendamento: (43) 99187-9191.

Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN): Conheça a doença

Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), essa doença de nome complicado faz parte do quadro de doenças que são de responsabilidade do hematologista. Existe uma grande chance de que você nunca tenha ouvido falar dela, certo? Por isso, hoje vou te explicar mais sobre ela, a complexa “HPN”.

Lembra quando falei sobre as células-tronco? Essas células são responsáveis por fabricar todas as células do nosso sangue (faz sentido chamarem “célula-tronco”, né?). Glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas nascem nessas células.

A Hemoglobinúria Paroxística Noturna é uma anemia hemolítica causada por um defeito  nas células-tronco. 

A doença é rara e ainda não se sabe exatamente o porquê ela é desenvolvida, mas já se sabe que pacientes apresentam um dos genes das células-tronco, o PGI-A sofre uma mutação e assim as hemácias são geradas com defeitos,  na maior parte dos casos. No entanto podem existir células clonais também nas outras séries do sangue como leucócitos e plaquetas.

Os principais sintomas são:

– Anemia

– Trombose (a alteração mais temida na doença)

– Fadiga extrema

– Escurecimento da urina pela manhã

– Problemas renais

Observe que um dos sintomas é o escurecimento da urina pela manhã. Isso acontece porque foi observado que a maior parte dos glóbulos vermelhos são quebrados no período da noite, o que faz com que ocorra a eliminação na urina no período da manhã e também ê origem ao nome da doença. No entanto a maior parte dos casos não se apresenta com essa alteração.

A suspeita é feita por meio do hemograma (exame de sangue) que irá mostrar anemia e o diagnóstico é feito através de um exame (também de sangue) chamado Imunofenotipagem de sangue periférico, capaz de identificar os clones da doença e sua porcentagem. Confirmada a doença, avaliamos qual a sua extensão e complicações e determinamos o tratamento que pode ser feito de várias formas: com transplante da medula óssea, uso de medicamentos e transfusão de sangue. Atualmente só existe um medicamento aprovado para o tratamento da doença, chamado Eculizumab. O remédio não está disponível no SUS, infelizmente.

Lembre-se: a melhor forma de ficar tranquilo e ter um bom tratamento é realizar uma consulta médica para investigação.

Dúvidas? Deixe nos comentários! Para consultas em Londrina ligue para (43) 3372-2502. Em Apucarana (43) 3422-0836. WhatsApp apenas para agendamento: (43) 99187-9191.

Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI): Entenda mais sobre o assunto!

Você já ouviu falar na Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI)? Essa doença de nome complicado é o tema de hoje aqui nas nossas dicas!

A PTI é uma doença autoimune e acontece por conta da destruição das plaquetas que são células produzidas na medula óssea e que trabalham no processo de coagulação do sangue, o que impede que aconteçam as hemorragias. E por que isso acontece?

Quando temos algum tipo de infecção, nosso corpo produz anticorpos para nos defender. Mas às vezes o corpo “se confunde” e ao invés de produzir anticorpos contra vírus ou bactérias, acaba produzindo anticorpos contra as plaquetas e destruindo elas, por isso o número de plaquetas baixa na PT.I

Na Púrpura Trombocitopênica Imune o número de plaquetas cai drasticamente, o que causa a trombocitopenia, ou seja, nome técnico para redução do número de plaquetas, também chamadas de trombócitos.  A PTI pode ser completamente assintomática e descoberta apenas por exame de sangue de rotina. Quando apresenta sintomas, o mais comum são sinais de sangramento em pele e mucosas. O padrão de sangramento pode ser “em pontinhos” (petéquias) ou manchas maiores, parecidas com hematomas (equimoses).

Além das manchas roxas na pele, é comum também o sangramento no nariz (epistaxe) e gengiva (gengivorragia). A PTI muito raramente pode causar sangramento em outros órgãos, como trato gastrointestinal e cérebro, também quando o número de plaquetas é muito baixo. Outros sintomas como dores nas pernas ou fluxo menstrual intenso também podem ocorrer.

Sobre a incidência, a PTI ocorre mais em mulheres do que em homens. É muito comum também em crianças, geralmente com quadro auto-limitado associado a infecções virais.

Para o diagnóstico precisamos solicitar o hemograma que vai mostrar o número de plaquetas reduzido e afastar todas as possíveis causas de plaquetas baixas. Depois de tudo normal, podemos dizer, por exclusão, que a causa das plaquetas baixas é auto-imune e fechar o diagnóstico de PTI. O tratamento é feito com corticoides (prednisona), para controlar os sintomas e aumentar o número de plaquetas no sangue. Nem sempre é necessário o tratamento da PTI, já que a doença muitas vezes se apresenta assintomática. Geralmente é recomendado pensar em tratamento somente quando as plaquetas estão abaixo de 30mil em pacientes assintomáticos!

Outra forma de tratamento é a retirada do baço em situações específicas, já que a destruição das plaquetas acontece neste órgão e retirando ele muitas vezes conseguimos controlar os sintomas nos pacientes que não respondem ao corticoide.

Em caso de manchas na pele e sangramentos, o ideal é procurar um hematologista o quanto antes!

Em Londrina ligue para (43) 3372-2502. Em Apucarana (43) 3422-0836. WhatsApp apenas para agendamento: (43) 99187-9191