Dra. Suelen Rodrigues Stallbaum – Hematologista Londrina, Apucarana, Maringá e região

Lúpus e alterações no sangue

O Lúpus é uma doença autoimune, extremamente complexa. Se você já assistiu o seriado “Dr. House” certamente já ouviu falar e recentemente também a polêmica do uso da Cloroquina trouxe a doença à mídia.

A doença é inflamatória, complexa e pode acometer órgãos no corpo todo, por isso um diagnóstico correto e tratamento específico é fundamental para o controle da doença – e quem faz o diagnóstico e tratamento do Lúpus é o Reumatologista.

Mas, se a doença é responsabilidade do reumatologista, por que estou falando dela? 

Uma das manifestações do lúpus podem ser alterações no sangue. E é sobre isso que vamos falar hoje. 

Trombocitopenia de causa auto imune: 

A plaquetopenia (trombocitopenia) pode ocorrer por uma diminuição da produção das plaquetas lá na medula óssea ou ainda quando há uma grande destruição no sangue.

No caso do Lúpus, se o médico não investiga por exemplo o fator antinuclear (FAN) e os anticorpos específicos da doença, pode acabar diagnosticando de forma errônea como Púrpura Trombocitopênica Imunológica. Por isso, ouvir o paciente e analisar todos os os sintomas é fundamental para descartar outras doenças. 

Trombose: O Lúpus está associado a uma condição que chamamos de hipercoagulabilidade, que é quando o sangue coagula mais do que o normal, aumentando as chances de formar coágulos (trombos) e consequentemente a trombose.  

Anemia: A anemia de doença crônica/autoimune pode ser comum nos pacientes com lúpus. A mais comum é a anemia hemolítica, tipo de anemia autoimune que ocorre quando os anticorpos passam a destruir os  glóbulos vermelhos do sangue.

Lembre: o lúpus é o uma doença que atinge o corpo todo. Em doenças auto imunes, o nosso organismo passa a ter dificuldade para identificar o que são nossas próprias células (como os glóbulos vermelhos) ou o que são células invasoras. 

Leucopenia: Os leucócitos, também chamados de glóbulos brancos, são as células que agem na defesa do nosso organismo, trabalhando para combater alergias, infecções. O número normal de leucócitos no sangue varia de 3.700 a 10 mil a cada mm³ (microlitro) de sangue em médio e quando há um número mais baixo do que o normal, chamamos de leucopenia. No lúpus podemos formar anticorpos contra os leucócitos. Doideira, né?

Condições de pele associadas: Muitas vezes pacientes que apresentam manchas não buscam um dermatologista e sim um hematologista, por pensarem ser algo no sangue. Então precisamos observar quando manchas vermelhas ou as famosas rash em formato de borboleta estão presentes junto com as alterações de sangue que comentei.

O médico precisa estar atento para quando as alterações sanguíneas não estão acompanhadas de alterações típicas de doenças hematológicas. Investigar o FAN (fator antinuclear) é fundamental para ligar o alerta da presença de uma doença autoimune e poder encaminhar para um reumatologista. 

E aí, vai dizer que não é interessante? Comenta abaixo o que você achou. Lúpus é uma doença bastante abrangente e sei que muitos pacientes se assustam com o diagnóstico. Mas com o acompanhamento correto, é possível ter uma vida saudável! 

Relação entre alimentos e anticoagulantes

alimentos e anticoagulantes

Se você faz uso de anticoagulantes, já sabe o que eles são e para o que servem. Mas, para quem ainda não conhece esses medicamentos, hoje vou falar sobre a relação entre alimentos e anticoagulantes.

Em nosso sangue, temos substâncias que são responsáveis pelo processo de coagulação, ou seja, de não permitir que a gente sangre quantidades além do normal. Mas, tem algumas situações pode acontecer um erro que leva a uma coagulação rápida e exagerada, que forma os famosos coágulos (trombos) e pode levar à trombose. 

Existem situações em que precisamos usar remédios anticoagulantes com a intenção de parar ou prevenir uma trombose. Exemplos:

-> Após cirurgias no joelho ou situações em que o paciente fique muito tempo deitado.

-> Pacientes com quadros de trombose

-> Uso de próteses em válvulas cardíacas 

-> Pacientes com algumas cardiopatias

Nesses casos o anticoagulante é prescrito e  o acompanhamento feito por um hematologista.

O que são anticoagulantes?

Os anticoagulantes são uma classe de fármacos (medicamentos) usados no tratamento de alterações relacionadas ao processo de coagulação sanguínea podem ser usados por via oral (comprimidos), ou como injeções na veia ou subcutâneo (barriga, braço, etc.)

Existem dois tipos muito famosos quando falamos em via oral e com mecanismo de ações bem diferentes: antagonista da vitamina K (Varfarina) ou Anticoagulantes orais diretos (ex: Xarelto)

Alimentos e anticoagulantes

Se você faz uso de anticoagulante antagonista da vitamina K já deve saber que alguns alimentos devem ser evitados: justamente os ricos em vitamina K.  Isso acontece porque é essa vitamina que lá no fígado participa da formação dos fatores de coagulação sanguínea e tem portanto, papel pró coagulante.

Alguns alimentos ricos em vitamina K são: folhas verdes escuras, principalmente alface e brócolis. Embora vários tipos de chás e remédios (ex: anti-inflamatórios) também possam interferir na dosagem do remédio.

Para que não haja interferência na ação dos medicamentos, a alimentação deve ser pobre nesses alimentos e em todos ricos em vitamina K.

Já os anticoagulantes orais diretos não têm essa interferência, porém têm como negativo o custo elevado e contraindicação em algumas situações específicas como trombofilias de alto risco como SAF.

E aí, você já sabia disso? Me conte nos comentários!  📲Para agendamento de consulta ligue em Londrina para (43) 3372-2500. Em Apucarana (43) 3034-0789 ou envie um WhatsApp para 43 99187-9191. O número de WhatsApp é válido tanto para Londrina, quanto para Apucarana.

 

Mutação MTHFR e a ginecologia

Hey people, como vão? Tranquilos nessa quarentena? Pois hoje estou em clima de polêmica. E como não aguentamos mais a já batida pandemia, bora polemizar outras áreas? 😉

Brincadeiras à parte, a polêmica que vamos discutir hoje nem deveria ser polêmica, já que está mais do que provado e comprovado que NÃO EXISTE NENHUMA ASSOCIAÇÃO ENTRE MUTAÇÃO DO GENE MTHFR E TROMBOFILIA! Mas nem escrevendo em letras garrafais alguns colegas parecem entender.

Então lá vamos nós tentar pela milésima vez convencer alguém com argumentos científicos.

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