Dra. Suelen Rodrigues Stallbaum – Hematologista Londrina, Apucarana, Maringá e região

Sangramento na quimioterapia: o que preciso saber?

Durante o mês de junho estamos falando sobre emergências oncológicas. Você está acompanhando os posts?

Para fechar o mês, vamos falar sobre uma das alterações que mais trazem preocupação entre os pacientes: o sangramento durante a quimioterapia. Vou tentar deixar o conteúdo bem fácil de entender, mas se você tiver alguma dúvida, me conte nos comentários, ok?

Para começar, vale lembrar que graças a coagulação sanguínea nós não temos sangramentos frequentes e hemorragias, que é o nome dado ao processo de perda intensa de sangue. 

E a coagulação acontece devido a vários fatores, sendo o primeiro relacionado ao trabalho das plaquetas e as enzimas que elas liberam para iniciar essa coagulação. 

Quando há, por qualquer motivo que seja, queda no número de plaquetas, temos o que chamamos de plaquetopenia ou trombocitopenia. Os principais sintomas dessa diminuição no número normal de plaquetas são manchas roxas pelo corpo e sangramentos pelo nariz e gengivas.

E o que isso tem a ver com o tema de hoje?

Sabemos que a quimioterapia tem como objetivo eliminar as células cancerígenas do organismo, seja de um câncer hematológico ou não. Mas, o que acontece é que nós não conseguimos dar a ordem para a medicação atingir somente as células doentes e por isso, a quimio pode atingir as células sadias, inclusive as da medula óssea.

Como consequência, temos a diminuição ou até interrupção na produção de células do sangue, como as plaquetas. Nos primeiros dias, na maioria das vezes não  há sintomas pois as células que já estão no organismo “dão conta do recado”. Mas, entre o 10º e 14º dia do ciclo de quimioterapia, as células sanguíneas estão em sua menor contagem e muitos pacientes podem apresentar sintomas relacionados à baixa das plaquetas, que não representam riscos, como pontinhos avermelhados pelo corpo, porém, outros pacientes podem manifestar a plaquetopenia por meio de sangramentos, sendo eles:

  • Sangramento no nariz
  • Mucosas, como gengiva
  • Sangramento vaginal fora do período menstrual
  • Presença de sangue nas fezes

Esses casos merecem bastante atenção. Consideramos normal a contagem de plaquetas entre 150.000 e 450.000/µL. Pacientes com sangramento e menos do que 50.000 plaquetas/µL já são considerados graves e, mesmo com ausência de sangramento, contagens abaixo de 20.000/µL também. 

Para esses casos, muitas vezes é indicado a transfusão de plaquetas, que funciona como uma transfusão de sangue e pode ajudar o paciente a ter uma recuperação mais rápida do quadro de plaquetopenia. 

Outros casos que não são considerados graves, mesmo com a queda no número de plaquetas, não há necessidade de intervenção, pois ao fim de um ciclo de quimioterapia a contagem volta a subir.

É por isso que muitos pacientes oncológicos, mesmo que de cânceres não hematológicos, podem precisar de um acompanhamento hematológico. 

E é importantíssimo que todo paciente oncológico avise seu médico se notar qualquer sangramento, pois os quadros podem evoluir rapidamente. Há também os sangramentos causados por alterações no fígado e fatores de coagulação, mas essa conversa deixamos para outro dia, ok?

Finalizamos aqui nossa série especial sobre emergências hematológicas, mas se você tiver alguma dúvida, me conte nos comentários. E não esqueça de compartilhar esse conteúdo com quem pode precisar dele, combinado?

Dra. Suelen Stallbaum⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

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Febre pode matar? Entenda a neutropenia febril

Febre pode matar? Esse é o tema dessa semana. Vamos aprender?

Durante o mês de junho estamos falando sobre essas emergências oncológicas. Já falamos sobre Hipercalcemia maligna e Síndrome de Lise Tumoral. Hoje, para dar sequência, quero te explicar sobre outra emergência onco-hematológica,  a Neutropenia Febril. Só pelo nome provavelmente você não tenha ideia do que eu estou falando, né?

Ué, não era febre que mata? Calma, vamos chegar lá! Mas antes, vamos entender mais sobre o assunto?

Os neutrófilos são um tipo de leucócitos – as células do sistema imunológico. São eles os principais responsáveis por proteger, detectar e combater invasores em nosso organismo, como vírus e bactérias. 

Neutropenia é o nome que damos ao quadro em que há diminuição de neutrófilos. Consideremos neutropenia níveis abaixo de 1500/µL, sendo casos muito graves abaixo de 500/µL.  E para entender, precisamos lembrar o que são neutrófilos.

Quando essas células estão em uma contagem muito baixa, quer dizer que estamos com pouca – ou nenhuma – proteção contra infecções. 

Agora que já entendemos o que é um quadro de neutropenia, vamos falar mais sobre a neutropenia febril? 

Pacientes oncológicos são pacientes que apresentam a imunidade comprometida por uma série de fatores, seja pela própria doença que baixa a imunidade como as que afetam a medula e células de defesa, pelo tratamento quimioterápico ou até mesmo em alguns casos por um transplante de medula óssea.

Por isso, estamos sempre cuidando para evitar o surgimento de infecções e tentar ao máximo proteger o sistema imunológico. 

Quando o paciente em tratamento quimioterápico faz febre, é sempre um sinal de alerta! Se a febre é igual ou maior que 38ºC é preciso fazer um exame de sangue para investigar o número de neutrófilos e investigar uma possível infecção. 

A neutropenia febril é um quadro comum que surge por consequência da quimioterapia, atingindo a maioria dos pacientes em algum momento do tratamento. E dizemos que é a “febre que mata” pois os pacientes com neutropenia febril se não tratados com urgência e não começarem o antibiótico o quanto antes correm risco de vida e infelizmente muitas vezes podem morrer.

Além disso, pacientes com leucemia, mieloma múltiplo e linfomas já são grupo de risco para surgimento de um quadro de neutropenia febril. 

Diagnóstico

Para investigar e realizar o diagnóstico, é preciso um exame de sangue para contagem de neutrófilos, mas também um exame físico bastante minucioso para encontrar o foco da infecção: garganta, local de inserção de cateter, corte, fundo de olho, pulmão, períneo. 

Tratamento

O tratamento será feito de acordo com a gravidade do paciente. Se houver, junto com a neutropenia, presença de hipotensão (pressão arterial baixa), desidratação, pneumonia ou outro sinal de gravidade, é recomendado a internação. 

Em todos os casos serão realizados hemogramas para acompanhar o número de neutrófilos e o paciente deverá ser acompanhado de perto e usar antibióticos potentes.

A neutropenia febril é uma das emergências oncológicas pois se não tratada rapidamente, pode comprometer todo organismo com a infecção e lavar o paciente a óbito, sendo, inclusive, uma das principais causas de morte durante o tratamento oncológico. 

Por isso é preciso estar atento aos exames laboratoriais e a sinais que muitas vezes são ignorados pelo próprio paciente. 

Você já tinha ouvido falar sobre essa emergência oncológica? Ficou com alguma dúvida sobre o assunto? Me conte nos comentários!

E você, colega médico, já investigou ou tratou quadros de neutropenia febril? Quais foram os maiores desafios? 

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Quando o tumor se rompe – Síndrome de Lise Tumoral

Agora em junho estamos conversando sobre as emergências onco-hematológicas, você tem acompanhado? 

O tema de hoje é a Síndrome de Lise Tumoral. Você já ouviu falar sobre ela? Então vamos entender juntos o que é essa emergência, como surge e os riscos que apresenta? 

Um tumor maligno é uma massa formada por células não saudáveis que se reproduzem de forma desordenada. Para matarmos o tumor precisamos destruir ele, certo? Mas se fizermos isso de forma muito rápida, liberamos muitas substâncias de uma vez na corrente sanguínea a sobrecarregamos nosso corpo com isso. O termo lise significa quebra, ruptura. A Síndrome de lise tumoral (SLT) acontece justamente quando há um rompimento de um número de células muito grande e ao mesmo tempo liberando diversas substâncias como grandes quantidades de ácido úrico na corrente sanguínea, algo grave e que pode até levar à morte se não tratado com urgência.

Na SLT, além do aumento do ácido úrico, nosso corpo também é sobrecarregado com:

  • Hipocalcemia (falta de cálcio no sangue) e hipercalciúria (eliminação de muito cálcio pelos rins) – falamos recentemente sobre o oposto: excesso de cálcio no sangue
  • Hiperfosfatemia (excesso de fosfato no sangue)
  • Hiperuricemia (concentração de ácido úrico no sangue)

Os riscos da SLT são muitos e incluem insuficiência cardíaca, lesões nos rins, alterações neurológicas (espasmos musculares e convulsões, alterações gastrointestinais e, se não diagnosticada e tratada, pode levar à falência múltipla de órgãos e óbito.

Os sinais e sintomas da lise tumoral são:

  • Náuseas, vômitos e diarreias
  • Hematúria (presença de sangue na urina)
  • Perda do apetite
  • Arritmias cardíacas
  • Espasmos musculares/tetania 
  • Arritmias e insuficiência cardíaca 

A Síndrome de Lise Tumoral é mais comum em tumores onco-hematológicos, como:

Leucemias Agudas como LLA e LMA e linfomas agressivos, principalmente Linfoma de Burkitt, Linfoma Difuso de Grandes Células B, Linfoma Linfoblástico e Linfoma do Manto com grandes massas.

Além disso, tumores maiores e de crescimento rápido também apresentam maior risco de se romperem. 

Como muitos dos sintomas podem ser confundidos com os da quimioterapia, é importante que o oncologista e o hematologista acompanhem de perto o paciente e realizem exames para medir níveis de potássio, cálcio, fosfato e ácido úrico, por exemplo. 

Como é uma emergência grave, o paciente deverá ser internado para acompanhamento caso seja diagnosticada a lise tumoral. O tratamento ideal seria perceber as situações de risco e instituir medidas precoces para evitar que a Síndrome de Lise Tumoral ocorra. Mas quando isso não for possível controlar as alterações dos eletrólitos no sangue e prevenindo, prevenindo ou já tratando lesões renais, cardíacas e neurológicas.  

O assunto é um pouco complicado e por isso, se você tiver alguma dúvida, me conte nos comentários! Paciente bem informado é fundamental para o sucesso do tratamento 😉 

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